Ilmos. Srs. Diretores e Coordenadores do Conservatório, demais autoridades presentes ou representadas, queridos professores, prezados pais, estimados amigos…

Peço licença para dirigir-me diretamente aos sujeitos deste evento, que são os próprios alunos.

Antes de qualquer coisa, gostaria de agradecer aos formandos o convite para ser paraninfo da turma. Foi com uma alegria muito grande que recebi o convite de vocês.

Como é a primeira vez que escrevo um discurso de paraninfo, peço perdão antecipado por qualquer gafe que a emoção me leve a cometer e prometo a todos que serei breve para não estragar a beleza memorável deste momento com palavras desnecessárias.

Há 10 anos, um cidadão chamado Baz Luhrmann escreveu algumas páginas sobre suas experiências de vida. Este manuscrito tornou-se o discurso do paraninfo para uma turma de formandos nos Estados Unidos. Talvez alguns nunca tenham ouvido falar de Baz Luhrmann, mas o vídeo em que ele recomenda que usem filtro solar muitos certamente conhecem. Mas fiquem tranqüilos: não me basearei no vídeo, apenas no autor.

Compreendo o paraninfo Luhrmann, que buscou expressar, através do seu discurso, suas boas e más experiências aos novos colegas de profissão. Também acredito ser importante o uso do filtro solar, mas acredito na praticidade da vida moderna e recomendaria que usem o capacete ou o cinto de segurança.

Várias vezes, com o transcorrer dos dias desde que me convidaram para ser paraninfo da turma, me perguntei o porquê dessa escolha. Tantos outros colegas meus, seus professores, detém qualidades que, por si só, são mais que suficientes para terem recebido essa honra, e por que não dizer missão, em meu lugar, mas vocês escolheram a mim. Então, resolvi me perguntar quais eram as minhas qualidades para que tivessem feito essa escolha.

Espero que, verdadeiramente, tenham observado com o passar deste ano, onde nossa relação se estreitou, que meus defeitos são grandes, enormes, inúmeros. E não peço desculpa por eles. Meus erros fazem de mim o homem que sou. Mas que tenham visto também minhas tentativas muitas vezes malucas de contorná-los, de me livrar deles, de fazer com que minhas qualidades se sobressaíssem aos meus defeitos, de ser alguém maior e melhor que pudesse ensinar algo a vocês. E se esses meus defeitos e qualidades puderam, de alguma forma, ajudá-los a aprender algo, então acho que cumpri minha missão e mereci este convite.

Como amigo, peço que me perdoem pelas vezes em que fui áspero demais. Sei que ninguém gosta de um professor carrasco, mas, como diz um velho ditado popular, o que não nos mata, nos fortalece. E se vocês conseguiram ficar um pouco mais fortes para enfrentar o mundo que os espera, então acho que cumpri minha missão.

Como professor, digo-lhes que minha porta estará sempre aberta. Que o hipotético saber e conhecimento que tenho e tentei transmitir possa lhes servir de guia quando a dúvida se fizer presente. E se, ao menos uma de minhas lições sobreviverem ao tempo e a poeira do esquecimento, então acho que cumpri minha missão.

Como paraninfo, e aqui abro um parêntese para confessar minha ignorância e dizer que não sabia qual era a real função desta figura, então, como o estudante curioso que sempre serei, pus-me a pesquisar e descobri entre outras coisas muito interessantes, que em algumas ordens iniciáticas, como batizados, casamentos e formaturas, o paraninfo era escolhido para “arcar” com as despesas da formatura. Espero que não tenha sido essa idéia que lhes moveu, mesmo porque deixei minha carteira em casa. Mas como dizia, como paraninfo, dou testemunho para a sociedade que vocês realmente tem os dons que afirmam possuir e que, a partir desta data, deixam de ser meros alunos e, espero eu, tornam-se mestres, oxalá melhores que seus mestres.

Definir um conjunto de dons para esta turma não foi complicado. Complicado é lidar com um estranho sentimento, igual ao de um pai quando um filho sai de casa: fica-se feliz pelo filho, por suas vitórias, por suas realizações, mas fica uma sensação de saudade. Assim como o pai poderá visitar seu filho, nós também nos reencontraremos no mercado de trabalho e na vida.

Mas o desejo de um pai, de um paraninfo como eu e de Baz Luhrmann é o mesmo: trilhem por seus próprios caminhos, almejem o topo e arrisquem, acreditem e invistam nos seus sonhos e nunca deixem de ser felizes. Desejo que seus caminhos sejam iluminados e repletos de sons. Por isso, nunca se esqueçam do filtro solar e do capacete.

Por fim, não foi apenas uma vez que vocês me ouviram falar durante as aulas: toquem. E toquem pra valer. Ainda que vocês errem, que seja um erro grande, bonito e vistoso. Bom, só desejo que essa determinação de ‘tocar’ alto e forte jamais se perca.

Agradeço muito a todos vocês pela convivência, pela amizade e pelo aprendizado que nós compartilhamos. 

Muito obrigado e parabéns.

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